Por que mulheres precisam falar diferente para serem ouvidas?
02/04/2025 - Especialista afirma que o tom, ritmo e palavras de uma mulher são analisados de forma mais rígida

As regras não escritas da comunicação pesam mais para mulheres. Enquanto homens são naturalmente percebidos como líderes, mulheres precisam ajustar tom, ritmo e até escolha de palavras para evitar julgamentos. O problema não está na voz feminina, mas na forma como a sociedade a interpreta e o que pode soar como firmeza em um homem, em uma mulher é facilmente rotulado como agressividade. A mesma objetividade que inspira confiança em um executivo muitas vezes é vista como frieza quando vem de uma mulher.
"Há séculos, a autoridade vocal foi reservada aos homens. As mulheres, quando falavam, precisavam ser doces, suaves, quase decorativas. Quando rompem esse padrão, o choque cultural ainda gera resistência. Mas hoje, o desafio não é apenas falar bem, mas sim ser ouvida com a seriedade que se merece", explica Micarla Lins, especialista em oratória e comunicação para mulheres.
De acordo com a especialista, o mundo dos negócios, da política e da mídia está repleto de exemplos desse paradoxo, onde líderes femininas precisam medir cada palavra para evitar polêmicas desnecessárias. “Políticas como Jacinda Ardern e Ursula von der Leyen equacionam firmeza com empatia para evitar críticas de excesso de autoritarismo. CEOs como Mary Barra e Ginni Rometty ajustam suas falas para soarem acessíveis sem perder credibilidade, e essa necessidade de calibrar a comunicação constantemente desgasta e limita a liberdade de expressão das mulheres no poder”, alerta Lins.
Para quebrar essa barreira, Micarla compartilha algumas estratégias fundamentais:
Ajustar sem se anular: comunicação não precisa se moldar às expectativas masculinas. Em vez disso, deve reforçar autenticidade e presença.
Uso estratégico da linguagem corporal: postura alinhada e gestos firmes ampliam a percepção de autoridade e reforçam a mensagem falada.
Reforço da voz e da dicção: falar com projeção e evitar tons apologéticos impede que a comunicação seja diluída ou facilmente ignorada.
Controle da narrativa: não deixar que outros interpretem o que foi dito de forma distorcida. Mulheres no poder devem assumir o controle de sua própria história.
Segundo Lins, a mudança não depende apenas das mulheres. “Organizações precisam promover ambientes onde todas as vozes sejam ouvidas sem viés de gênero. Quanto mais mulheres dominarem sua comunicação sem medo de represálias, mais natural será a aceitação da autoridade feminina”, finaliza.
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